Formação Espiritual

Combate Espiritual e São Bento

1-são-bento-oficial-rptFOTO-OFICIAL-Pe.-Joãozinho-scjO resumo de toda a Lei de Deus está no mandamento do amor:  “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. O pecado nos leva a perverter esta ordem: Amar a si mesmo e as coisas acima do próximo, julgando-se igual a Deus. A Luta Espiritual nos leva a renunciar a esta idolatria do “eu” procurando a libertação do pecado e a volta ao verdadeiro amor. É isto que  significa as inúmeras passagens de Jesus: perder para ganhar, últimos serão os primeiros, servo se torna Senhor, e mesmo o magníficat: derruba os poderosos de seu tronoe eleva os humildes.

As três brechas

      São Bento encontrou três brechas por onde o inimigo pode entrar em nosso coração. A luta espiritual acontece aí nestes lugares de maior fragilidade humana e espiritual. É nestas brechas que precisamos maior vigilância.

Primeira brecha:  A COBIÇA

            É a idolatria das coisas. Por exemplo, fazer do dinheiro um deus. É o apego às coisas da terra. São Bento coloca como símbolo desta brecha o porco, pois seu focinho está sempre ligado ao chão. Curioso observar no Evangelho que o filho pródigo, após ter gastado todos os seus bens, foi trabalhar no meio dos porcos.   Nesta brecha a luta acontece na reorientação dos desejos. É preciso conquistar uma atitude de oblação, de generosidade, desapego.   É neste sentido que os religiosos fazem o voto de pobreza.  

Segunda brecha:  A VAIDADE

É a idolatria do outro como objeto de prazer. É a necessidade de ser reconhecido e amado distorcida, pois esquece da relação de fraternidade com o próximo e pensa apenas em si mesmo. A vaidade se torna neste caso motivação até de coisas boas, mas no fundo está o apego idólatra aos elogios e a toda espécie de prazer. É fazer tudo só pelo interesse de ocupar o primeiro lugar, ser bem visto pelos outros, elogiado, ter status, ser admirado. Aqui São Bento usa o símbolo do Pavão.   É preciso reorientar esta necessidade natural e boa de ser reconhecido e amado. É dizer com sua vida e todo o seu coração:  Senhor, vosso é o Reino, o Poder e a Glória.  Se na primeira brecha, a atitude de desapego era uma garantia de vitória, nesta segunda brecha é necessário perseguir a atitude da solidariedade, do diálogo, da comunhão com Deus e com próximo. Para isso é fundamental a mansidão e a simplicidade.   É neste sentido, de reorientar todos os afetos para o serviço da comunhão, que os religiosos fazer voto de castidade.

Terceira brecha:  O ORGULHO

            É querer dominar tudo para si. Ser um verdadeiro deus. É a idolatria de “si mesmo”. Aqui São Bento ilustra com o símbolo da águia. O orgulho é a origem de todos os pecados. É pelo orgulho que o homem se separa de Deus e procura sua independência.    É necessário perseguir a virtude da humildade. Na luta espiritual, às vezes Deus nos da a graça da humilhação (Cf. Eclo 2) como uma espécie de exercício para crescermos na humildade e vencermos a brecha do orgulho. Neste sentido os religiosos fazem o voto de obediência.

Todas estas brechas estão descritas em Gn 1-11

1     COBIÇA: Idolatria das coisas (árvore, frutos…)

2     VAIDADE: Idolatria do outro como objeto (Caim)

3     ORGULHO: Idolatria de si mesmo (sereis deuses…) 

Jesus venceu todas estas brechas (Cf. Mt 4,1-10) 

1.   Cobiça: estar seguro contra a falta de alimento

2.   Vaidade: fazer um milagre diante das multidões

3.   Orgulho: dominar o mundo 

Joio e trigo misturados no coração 

É preciso reorientar os desejos de acordo com o amor segundo o qual fomos criados:

1.   Cobiça X desejo natural de viver, produzir, inventar

2.   Vaidade X desejo natural de ser reconhecido, amado

3.   Orgulho X desejo natural de organizar, dirigir

Padre Joãozinho, SCJ/Blog Pessoal

Fazer jejum tem sentido?

Alexandre Ribeiro/Aleteia

1-pão-rptO jejum – decisão temporária de não comer nada ou comer menos que o habitual – é praticado não só por motivos religiosos. É considerado pela Igreja um exercício de conversão a Deus. Fortalece o espírito e ensina que o sentido da vida não consiste apenas na satisfação dos desejos ou na busca de bens.

Em termos gerais, jejum significa não comer nada, ou comer menos que o habitual. Trata-se de uma prática comum na sociedade, seja por razões religiosas ou não. Há pessoas que fazem greve de fome por motivos políticos. Já outras mantêm rígida dieta alimentar por razões estéticas. Na Igreja católica, o jejum insere-se no contexto das práticas penitenciais, que são exercícios de conversão a Deus.

O jejum não é algo desconhecido ou rejeitado pela cultura moderna. Na história recente, ficaram famosos os jejuns praticados por Mahatma Gandhi (1869-1948). O líder político indiano jejuou em diferentes ocasiões – em algumas delas por até 21 dias – como forma de protesto contra a colonização britânica.

Além do âmbito político, onde se utiliza o termo “greve de fome”, o jejum é praticado em questões de saúde, como no caso de pessoas que não ingerem uma série de alimentos por prescrição médica. Há também o motivo estético, na busca por uma melhor aparência. E não se pode esquecer do jejum imposto pela necessidade, em situações de fome e miséria.

Na Igreja católica, o jejum é uma prática penitencial. Mas o que é a penitência? É a virtude cristã que inspira o arrependimento pelos pecados. Em sentido mais amplo, a penitência é “uma reorientação radical de toda a vida, um retorno, uma conversão para Deus de todo o nosso coração” (Catecismo da Igreja Católica – CIC –, 1431).

Trata-se de um desejo de mudar de vida, “com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda de sua graça”. Esta conversão interior vem acompanhada daquilo que os Padres da Igreja – grandes homens dos inícios da Igreja, aproximadamente do século II ao VII – chamavam de “compunctio cordis”, ou seja “arrependimento do coração” (CIC, 1431).

Nesse sentido, uma das expressões mais tradicionais da penitência cristã é justamente o jejum – ao lado da oração e da esmola –. Sendo assim, o jejum não se reduz apenas à questão alimentar. Jejuar é “privar-se voluntariamente do prazer dos alimentos e de outros bens materiais”, explica o Papa Bento XVI na mensagem para a Quaresma de 2009.

A Igreja estabelece como dia de penitência toda sexta-feira. Já a Quaresma, que constitui um caminho de treino espiritual mais intenso em preparação para a Páscoa, é considerada tempo de penitência. Trata-se de ocasiões especiais para jejuar, dedicar-se à oração e exercitar obras de piedade e de caridade.

A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa são os dias prescritos para o jejum e a abstinência – não comer carne.

Outro jejum indicado pela Igreja é o eucarístico. Quem vai receber a eucaristia deve se abster, pelo espaço de ao menos uma hora antes da comunhão, de qualquer comida ou bebida, exceto água ou remédios (Código de Direito Canônico, 919 § 1).

A Bíblia e a tradição cristã ensinam que o jejum é de grande ajuda para evitar o pecado e tudo o que a ele induz. Por isso, na história da salvação, é frequente o convite a jejuar. O primeiro jejum foi ordenado a Adão: não comer o fruto proibido. Segundo as Escrituras, Moisés, Esdras, Elias, os habitantes de Ninive jejaram.

Já nas primeiras páginas da Sagrada Escritura, Deus ordena que o homem não coma o fruto proibido: “Podes comer o fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas o da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás” (Gn 2, 16-17).

“Comentando a ordem divina, São Basílio observa que ‘o jejum foi ordenado no Paraíso’, e ‘o primeiro mandamento neste sentido foi dado a Adão’ (cf. Sermo de jejunio: PG 31, 163, 98)”, explica o Papa Bento XVI (mensagem para a Quaresma de 2009). Tendo em vista que o homem está ferido pelo pecado e suas consequências, o jejum é proposto “como um meio para restabelecer a amizade com o Senhor”.

Por exemplo, Esdras, antes da viagem de regresso do exílio à Terra Prometida, convidou o povo reunido a jejuar “para nos humilhar diante do nosso Deus” (8, 21). Já os habitantes de Ninive, sensíveis ao apelo de Jonas ao arrependimento, proclamaram um jejum dizendo: “Quem sabe se Deus não Se arrependerá, e acalmará o ardor da Sua ira, de modo que não pereçamos?” (3, 9).

O livro do Êxodo (34, 20-28) narra que Moisés esteve na presença do Senhor, em jejum, antes de receber os mandamentos, esculpi-los em tábuas de pedra e levá-los ao povo. Já o livro de Reis (I Re 19, 8) fala do jejum de Elias, quando o profeta caminhou 40 dias para ir encontrar o Senhor no monte Horeb.

Os Evangelhos de Lucas e Mateus narram que Jesus jejuou durante 40 dias, antes de iniciar seu missão pública. Ele “também nos animou a jejuar, no sermão da montanha, ao dizer estas palavras: ‘Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os outros não vejam que estás jejuando, mas somente teu Pai, que está no escondido. E o teu Pai, que vê no escondido, te dará a recompensa’”, explica o padre John Flader, autor do livro “Question time: 140 questions and answers on the catholic faith”.

A prática do jejum também se encontra muito presente na primeira comunidade cristã (“jejuaram então e oraram” – At 13, 3; “nos recomendamos em (…) jejuns” – 2 Cor 6, 5). “Também os Padres da Igreja falam da força do jejum, capaz de impedir o pecado, de reprimir os desejos do ‘velho Adão’, e de abrir no coração do crente o caminho para Deus” (mensagem de Bento XVI para a Quaresma de 2009).

O jejum busca, em primeiro lugar, responder ao convite a ser discípulos de Jesus. É um ato que manifesta reverência a Deus, exercita a fortaleza e a temperança, motivando ao autodomínio e liberdade interior. É também um ato de solidariedade.

Jejuar – explica o padre John Flader – “é um bom modo de responder ao convite de Jesus: ‘Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me’” (Mt 16, 24).

No tempo de Jesus, o jejum obrigatório acontecia uma vez por ano, no dia do “Yom Kippur”, o “Grande Dia da Expiação”.

Os Evangelhos têm três versões sobre o jejum de Jesus – explica o padre José Knob, SCJ, professor da Faculdade Dehoniana, em Taubaté, São Paulo –.

Segundo o Evangelho de Marcos, Jesus não jejuou. O evangelista fala que os anjos o serviram durante os 40 dias no deserto, período de retiro que antecedeu ao seu ministério público.

Já Lucas e Mateus falam de jejum. Esses dois evangelistas falam do jejum de Jesus como preparação para a vida apostólica, isto é, como forma de fortalecer o espírito para a missão.

Segundo o sacerdote, um dos grandes benefícios do jejum é sua própria pedagogia. “É um exercício de se abster de coisas em si lícitas, fortalecendo assim o espírito, para, no momento em que aparecer uma tentação do ilícito, a gente esteja forte”, explica o padre José Knob.

“No fundo, o jejum é isso. Não é que o sofrimento agrade a Deus. Trata-se de algo pedagógico. É fortalecer o espírito. E esse valor não se perde, pois a pessoa fica mais forte para resistir ao mal.”

Já o padre John Flader cita, entre os benefícios do jejum, a manifestação de reverência a Deus, “ao devolver-lhe parte da criação que nos confiou”. Também “põe em exercício as virtudes da fortaleza e da temperança, ao negar-nos no que seria um alimento, uma bebida ou outro prazer legítimo, para adquirir assim maior auto-domínio e liberdade de coração”.

Segundo o sacerdote, isso é particularmente importante na sociedade de hoje, onde as pessoas podem se converter em presas do consumismo, ao adotar uma mentalidade muito indulgente, “que nos leve a comer ou beber ao nosso capricho, frequentemente em prejuízo da nossa saúde corporal e espiritual”.

Padre Flader explica ainda que o jejum pode ser proposto como reparação pelos pecados. Pode também ser oferecido pelos outros, para, por exemplo, que voltem à prática da fé, recuperem-se de uma enfermidade, decidam se casar na Igreja, encontrem um trabalho.

Uma outra característica é que o jejum deve ser feito em espírito de solidariedade com as pessoas que têm de jejuar à força, porque não têm o que comer. “Quem sente fome por algum momento, tende a se solidarizar com aqueles que não têm alimento suficiente e passa a imaginar a situação dessas pessoas”. Nesse sentido, “o jejum humaniza”, afirma o padre José Knob.

Assim, não faltam razões para jejuar. Mas o jejum deve sempre vir acompanhado de outros atos de virtude, de modo particular a caridade.

Referências:

Aleteia consultou o padre José Knob, SCJ, professor da Faculdade Dehoniana, em Taubaté (São Paulo).

Confessar-se: como? por quê?

Mons. Jonas Abib/ Do livro: “Confessar-se: como? Por quê?

PRIEST HEARS CONFESSION BEFORE MASS MARKING START OF YEAR OF FAITH AT WYOMING CHURCH1- Por que devo me confessar?

O coração do homem apresenta-se pesado e endurecido. É preciso que Deus dê a ele um coração novo. A conversão é, antes de tudo, uma obra da graça divina, que reconduz nosso coração a Ele: “Converte-nos, a ti, Senhor, e nos converteremos” (Lm 5,21). O Senhor nos dá a força de começar de novo. É descobrindo a grandeza do amor de Deus que nosso coração experimenta o horror e o peso do pecado e começa a ter medo de ofender o Altíssimo pelo mesmo pecado e de ser separado d’Ele. O coração humano converte-se olhando para aquele que foi transportado por nossos pecados (CIC 1432).

O pecado é uma palavra, um ato ou um desejo contrário à lei eterna; “é uma falha contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana.” (cf. CIC 1849). Por esse motivo, a conversão traz, ao mesmo tempo, o perdão de Deus e a reconciliação com a Igreja, e é isso que o Sacramento da Penitência e da Reconciliação exprime e realiza liturgicamente.

2- A confissão dos pecados graves e veniais

Cristo instituiu o sacramento da penitência para todos os membros pecadores de Sua Igreja, antes de tudo, para aqueles que, depois do batismo, cometeram pecado grave e, com isso, perderam a graça batismal e feriram a comunhão eclesial. É a eles que o sacramento da penitência oferece uma nova possibilidade de se converter e recobrar a graça da justificação (CIC, 1446).

Comete-se um pecado grave quando, mesmo conhecendo a lei de Deus, se pratica uma ação voluntariamente contra as normas prescritas nos dez mandamentos (cf. CIC 1857-1861).

O pecado mortal destrói a caridade no coração do homem por uma infração grave da lei de Deus; desvia-O de Deus, que é seu fim último e sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior.

O pecado mortal, atacando em nós o princípio vital que é a caridade, exige uma nova iniciativa da misericórdia de Deus e uma conversão do coração, que se realiza normalmente no sacramento da reconciliação (CIC 1855, 1856).

A declaração dos pecados ao sacerdote constituiu uma parte essencial do sacramento da penitência: “Os penitentes devem, na confissão, enumerar todos os pecados mortais de quem têm consciência depois de examinar-se seriamente, mesmo que esses pecados sejam muito secretos e tenham sido cometidos somente contra os dois últimos preceitos do decálogo, pois, às vezes, esses pecados ferem gravemente a alma e são mais prejudiciais do que os outros que foram cometidos à vista e conhecimento de todos” (CIC, 1456).

Todo fiel, depois de ter chegado à idade da discrição, é obrigado a confessar fielmente seus pecados graves, pelo menos uma vez por ano. (cf. CDC, 989; cf. CIC, 1457)

Aquele que tem consciência de ter cometido um pecado mortal não deve receber a sagrada comunhão, mesmo que esteja profundamente contrito, sem receber previamente a absolvição sacramental, a menos que tenha um motivo grave para comungar e lhe seja impossível chegar a um confessor (cf. CDC, 916; cf. CIC, 1457).

Procurai o Senhor enquanto é possível encontrá-Lo, chamai por Ele, agora que está perto. Que o malvado abandone o mau caminho, que o perverso mude seus planos, cada um se volte para o Senhor, que vai ter compaixão; pois os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são os meus – oráculo do Senhor. (Is 55,6-8).

“Lâmpada para meus passos é tua palavra e luz no meu caminho” (Sl 118,105).

O pecado venial (pecado ou falta leve), mesmo não rompendo a comunhão com Deus, “enfraquece a caridade, traduz uma afeição desordenada pelos bens criados, impede o progresso da alma no exercício das virtudes e a prática do bem moral; merece penas temporais. O pecado venial deliberado e que fica sem arrependimento nos dispõe, pouco a pouco, a cometer o pecado mortal” (CIC, 1863).

Por isso, a Igreja vivamente recomenda a confissão frequente desses pecados cotidianos (CDC 988). A confissão regular dos pecados veniais ajuda-nos a formar nossa consciência, a lutar contra nossas más inclinações, a deixar-nos curar por Cristo, a progredir na vida do Espírito. Recebendo mais frequentemente, por meio deste sacramento, o dom da misericórdia do Pai, somos levados a ser misericordiosos como Ele (cf. LG 40,42; CIC, 1458).

“Mesmo se a Igreja não nos obriga à confissão frequente, a negligência em recorrer a ela é, pelo menos, uma imperfeição e pode tornar-se até um pecado, pois a confissão frequente é o único meio para o cristão evitar o pecado grave” (Sto. Afonso de Liguori, Teol. Mor., VI, 437).

Esquema para o Exame de Consciência

Rafael Vieira/ Reparatoris

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Meditação:

1- Eu me aproximo do Sacramento da Penitência com desejo sincero de purificação, conversão, renovação de vida e amizade mais profunda com Deus? Ou, pelo contrário, o considero como um fardo que deva receber raramente?

2- Tenho esquecido ou omitido deliberadamente algum pecado grave em minhas confissões anteriores?

3- Tenho cumprido as penitências que me foram impostas? Tenho reparado as injustiças cometidas? Tenho me esforçado por praticar os propósitos de ajustar a minha vida ao Evangelho?

Exame:

A) O Senhor disse: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração”

1- Está meu coração voltado para Deus, a ponto de amá-lo verdadeiramente sobre todas as coisas, como um filho a seu pai, cumprindo fielmente seus mandamentos? Ou, pelo contrário, me tenho preocupado mais com as coisas terrenas? Tenho pureza de intenção em minhas obras?

2- Tenho verdadeira fé em Deus, que nos falou por intermédio de seu Filho? Tenho aderido com firmeza à doutrina da Igreja? Tenho me preocupado em adquirir a instrução cristã, ouvindo a Palavra de Deus, participando da catequese, evitando o que atenta contra a fé? Tenho professado sempre com coragem e destemor a fé em Deus e na Igreja? Tenho me portado como cristão na vida pública e particular?

3- Tenho feito às orações da manhã e da noite? A minha oração é verdadeiro diálogo com Deus ou apenas ritual externo? Tenho oferecido a Deus os trabalhos, alegrias e sofrimentos? Tenho recorrido a ele nas tentações?

4- Tenho demonstrado reverência e amor pelo nome de Deus, ou tenho ofendido a Deus com blasfêmias, juramentos falsos ou falta de respeito? Tenho desrespeitado a Santíssima Virgem e/ou os Santos?

5- Tenho honrado o dia do Senhor e os dias santificados, participando das reuniões litúrgicas sobretudo da Missa, de maneira ativa, piedosa e atenta? Tenho observado o preceito da confissão anual e da comunhão pascal?

6- Tenho talvez outros deuses, como riquezas, as superstições, o espiritismo, ou a macumba, confiando neles mais do que em Deus? Consultei cartomantes, horóscopos ou pessoas suspeitas? Trabalhei sem necessidade aos domingos e dias santos?

B) O Senhor disse: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”

1- Tenho verdadeiro amor ao meu próximo, ou tenho abusado de meus irmãos, utilizando-os para meu proveito pessoal e fazendo a eles o que não desejo para mim mesmo? Tenho sido para eles causa de grave escândalo com minhas palavras ou ações?

2- Tenho contribuído para o bem e a alegria dos demais membros da minha família, pela paciência e o amor sincero? Tenho sido obediente aos meus pais, respeitando-os e ajudando-os em suas necessidades materiais e espirituais? Tenho me preocupado pela educação cristã dos filhos, ajudando-os com o bom exemplo e a autoridade paterna? Tenho sido fiel ao meu esposo ou esposa em meus desejos e relações com os outros?

3- Tenho dividido os meus bens com os mais pobres que eu? Tenho feito o possível para defender os oprimidos, socorrer os necessitados e ajudar os pobres? Ou, pelo contrário, tenho desprezado o próximo, sobretudo os pobres, os doentes, os anciãos, os estrangeiros e os de outra raça?

4- Tenho me lembrado da missão recebida na confirmação (Crisma)? Tenho participado das obras de apostolado e caridade da Igreja e da paróquia? Tenho prestado minha ajuda à Igreja e ao mundo e rezado pelas suas necessidades, como, por exemplo, a união dos cristãos, a evangelização dos povos e o reinado da paz e da justiça etc.?

5- Tenho me preocupado com o bem e o progresso da comunidade em que vivo, ou somente com minhas vantagens pessoais? Tenho participado, de acordo com minhas possibilidades, na promoção da justiça, da honestidade dos costumes, da concórdia, da caridade e tenho cumprido meus deveres cívicos? Tenho pago os impostos?

6- Tenho sido justo, responsável e honesto em meu trabalho ou profissão, servindo com amor a sociedade? Tenho remunerado os operários e aqueles que servem, com justo salário? Tenho cumprido meus compromissos e contratos?

7- Tenho obedecido às autoridades constituídas e as respeitado?

8-Uso meus cargos ou autoridade para meu interesse pessoal ou para o bem dos outros?

9- Tenho sido leal e verdadeiro? Ou tenho prejudicado os outros com palavras falsas, calúnias, detrações, juízos temerários, violação de segredo?

10- Tenho prejudicado a vida, integridade física, fama, honra ou bens do próximo? Tenho aconselhado ou praticado o aborto? Tenho odiado o próximo? Tenho me afastado do próximo por desentendimento, inimizade, ou injúrias (ofensa)? Tenho me recusado, por culpa ou egoísmo, a dar testemunho da inocência do próximo?

11- Tenho roubado, prejudicado ou desejado injustamente os bens do próximo? Tenho procurado restituir o alheio e reparar o dano?

12- Tenho estado pronto para perdoar ou fazer as pazes, por amor de Cristo? Ou tenho guardado ódio ou desejos de vingança? Tenho inventado mentiras? Omitido fatos?

C) O Senhor Jesus Cristo diz: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”.

1- Qual é a orientação fundamental da minha vida? Estou animado pela esperança da vida eterna? Tenho me esforçado por progredir na vida espiritual, por meio da oração, da leitura da Palavra de Deus, da participação nos Sacramentos e da mortificação? Estou disposto a reprimir os vícios, as más inclinações e paixões, como a inveja e a gula? Tenho sido soberbo e vaidoso, menosprezando os demais e julgando-me superior a eles? Tenho sido presunçoso (pretencioso) diante de Deus? Tenho imposto aos demais minha vontade, sem respeitar a liberdade e os direitos alheios?

2- Que uso tenho feito do tempo, das forças e dos dons recebidos de Deus como os “talentos do Evangelho”? Tenho feito uso destas coisas para buscar a perfeição, ou tenho sido ocioso e preguiçoso?

3- Tenho suportado com paciência as dores e contrariedades da vida? Como tenho mortificado meu corpo para completar “o que falta à paixão de Cristo”? Tenho observado a lei da abstinência e do jejum?

4- Tenho cuidado de meus sentidos, guardando meu corpo casto como templo do Espírito Santo, destinado à ressurreição e à glória, e como sinal do amor que Deus tem pelo homem e a mulher, simbolizado plenamente no sacramento do matrimônio? Tenho manchado meu corpo com más ações (adultério, prostituição, sexo fora do casamento, masturbação,,,), palavras e pensamentos impuros? Tenho consentido em maus desejos? Tenho-me entregue a leituras, conversações, espetáculos e diversões desonestas? Tenho sido causa, com meu exemplo, do pecado dos outros? Tenho observado a lei moral no uso do matrimônio?

5- Tenho agido contra minha consciência por temor ou hipocrisia?

6- Tenho procurado agir sempre na verdadeira liberdade dos filhos de Deus, segundo a lei do Espírito, ou tenho sido escravo de minhas paixões?

Espiritualidade- uma viagem

Por: Ana Maria Eymard Pereira Scarabelli, OCDS

“É preciso combater,,lutar,, sofrer,, sobretudo amar”.

(Madre Maria José)

 

420707_271409239602969_116909505052944_620447_731208632_nA vida espiritual é uma viagem, viagem que nos leva a encontro promissor. Encontro de corações, encontro com o Amado.

Encontro de combate, luta, sofrimento, encontro de amor…

Viagem de experiência…

Quando viajamos desejamos chegar, chegar e encontrar.

Encontros se fazem presentes na vida espiritual.

Encontro com o Amor, sim encontro com Deus que é o amor.

Para esse encontro com Ele é preciso viajar rumo ao encontro conosco, com nossa história, nossa realidade, nosso ser. Encontrar, aceitar, alegrar, amar.

Amar… Que desafio!!!

Amar nossas raízes, antepassados, o útero que fomos gerados, o esperma e óvulo que se uniram para nos gerar, a vida atual, a realidade presente, amar…Encontrar-nos e amar.

A viagem exige luta constante de encontro com o outro, o outro que não me entende, o outro que tem idéias contrárias, o outro que está perto e longe de mim. O outro…

Encontrar e amar o outro.

A cada dia a viagem da vida espiritual prossegue.

Agora sim, depois do longo percurso, encontrar com Ele, no casebre ou na mansão de nossas vidas.

Ele vem ao nosso encontro e impulsiona a nossa viagem espiritual

Ele nos ama e acolhe.

Encontros são momentos que geram vida, desperta saudade, adquire confiança, promove relacionamentos.

Nos relacionamentos de fé, trabalho, lazer, a vida espiritual vai se fazendo.

santa teresa de jesus.0São várias as correntes espirituais.

Como carmelita percorro a viagem na trilha do Carmelo. No caminho apontado por Teresa e João da Cruz. A espiritualidade do silêncio e da contemplação.

A viagem da determinada- determinação, da subida ao cume do Monte, do exercício do amor… De descobrir no ordinário da vida o extraordinário da fé.

Combater, lutar, sofrer, sobretudo amar.

Amemos!

E no amor encontremos com Ele em nossa história.

 

Permaneçamos no amor do Ressuscitado