A falta de Senso

A falta de Senso

Algumas vezes passamos por situações como: um parente que vem de viagem e fica contando as peripécias que aconteceram em sua vida noite à fora, sem se dar conta que os hospedeiros querem dormir; num domingo, na hora do almoço, chega de visita um testemunha de Jeová querendo conversar; numa longa viagem de ônibus o companheiro do lado conversa a noite toda sem parar; o palestrante não percebe que já excedeu 40 minutos do seu tempo… Há muitas pessoas com falta de senso.

E o que é a falta de senso? Quando utilizamos essas expressões “sem senso”, “faltou a dirce”, “não tem desconfiômetro”… queremos referir aquela pessoa que não é capaz de sentir que está incomodando. O que falta a essa pessoa é percepção. A percepção é o ato de captar através dos sentidos (visão, audição, tato, olfato e dicção) a realidade tal e qual. Para não sermos “sem noção”, como dizem os adolescentes, é preciso desenvolver a percepção. Também para não ser a “chacota” ou um incômodo aos outros isso é necessário. Mas, como se desenvolver a percepção?

Só existe um modo de tornar-se perceptivo: “conhece-te a ti mesmo”, já diziam os antigos filósofos, como Sócrates. O conhecimento do outro e das situações passa pelo conhecimento de si. Conhecer a si significa saber quais são os próprios defeitos e qualidades. E após isso descobrir a raiz de cada característica. Por exemplo, você é irritadiço, porque na infância todos em sua casa eram irritados. A descoberta dessas pequenas características nos dá campo de ação, ou seja, algo que precisa ser trabalhado. Busco me avaliar: quando fico irritado? Como me irrito? Quem me irrita? Porque me irrito? Deste modo, meus sentidos identificarão rapidamente o que é estar ou ser irritado, de modo que, saberei quando isso se expressa no outro. Ao mesmo tempo, saberei lidar com alguém irritado, pois aprendi a lidar comigo mesmo. Esse processo é libertador, evita confusões, e nos dá segurança interior; acabam os conflitos desnecessários.

Junto com esse trabalho humano podemos associar a abertura ao Espírito Santo. O crescimento humano unido ao crescimento espiritual nos transforma em pessoas maduras. O Espírito Santo sabe e conhece todas as coisas, pois essa é uma qualidade de Deus. Existem em nós e nos nossos relacionamentos complexidades que não podemos conhecer somente com o exercício da razão, mas o Espírito pode nos revelar e nos ajudar a chegar onde não podemos ir sozinhos. Pois, a busca de si mesmo é a busca de Deus, diz Santa Tereza D’ávila. Nosso objetivo deve ser “chegar à maturidade de Cristo” (Ef 4,13).

Fr. Rafael Vieira, SCJ

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